Entre fevereiro e maio deste ano, as instituições de controle de narcóticos descobriram, primeiro na Alemanha e depois na Colômbia, uma forma nova e sofisticada de traficar drogas que está se convertendo em um desafio para as instituições de controle e investigação no mundo inteiro devido à grande complexidade da sua identificação ao ser confiscada.
Os laboratórios especializados da Alemanha que foram os primeiros a confrontarem esse problema e fazerem análises de identificação a denominaram "cocaína negra", mas o seu nome técnico é cocaína anti-narcoteste), uma substância elaborada de tal maneira que transpõe dois dos obstáculos que os traficantes de drogas encontram ao despacharem sua mercadoria ao exterior:
1. Oculta a cor da droga em qualquer tipo de embalagem ou de transporte.
2. Adultera o resultado produzido pelos reagentes químicos usados pelas autoridades para a identificação preliminar das drogas controladas, uma vez que quando eles são aplicados para identificar a cocaína os resultados produzidos são negativos. O Departamento Administrativo de Segurança, DAS, da Colômbia, sob cuja jurisdição se encontra Luis Enrique Montenegro Rinco, o General da Polícia Estatal, enviou um relatório ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos e à DEA em 10 de junho, explicando como se havia inteirado dessa nova forma de tráfico e o desafio que ela representa para as instituições de controle de narcóticos em todo o mundo.
Como ocorreu a descoberta
Tudo começou em 20 de março deste ano, quando as autoridades alemãs confiscaram 15 quilos de uma substância negra declarada como "pigmento industrial" que havia sido enviada pela companhia Proquimort da Colômbia, mas que veio a ser uma remessa de cocaína. Essa remessa foi camuflada de maneira que passou por todos os controles utilizados normalmente pelas autoridades alfandegárias e aeroportuárias para determinar a presença da droga.
Uma análise química detalhada realizada pelas autoridades alemãs resultou na determinação de que a substância confiscada tinha um teor de 40% de cocaína, consistindo de uma mistura homogênea dos compostos tiocianato de cobalto, cloreto de ferro, ácidos e cocaína em estado aquoso. A Comissão Aduaneira de Mainz e a Unidade de Investigação da Polícia Contra Narcóticos da Alemanha detectaram a remessa devido à forma em que estava embalada, em garrafas etiquetadas como tinta de laser IBM. Havia alguns elementos suspeitos, tais como:
3. O endereço do remetente era um endereço particular no Panamá.
4. O consignatário estava na Lituânia.
5. A quantidade era grande; o pó da tinta laser é fino e constatou-se que o pó enviado era granulado.
6. As caixas de embarque utilizadas não eram originais da IBM; havia mudanças no logotipo e nos números de identificação do produto.
7. Os produtos IBM estão sujeitos a certas restrições internas com respeito à exportação; entre elas se encontra a proibição de remeter produtos à Lituânia.
Na presença de todos esses elementos e sabendo que na Colômbia o Corpo de Investigações Técnicas do Gabinete do Fiscal Geral (CTI) havia detectado uma forma de camuflagem de cocaína que consistia em misturá-la com limalhas de ferro e carvão, o governo alemão solicitou informações sobre esse novo processo ao Escritório da Interpol em Santafé de Bogotá.
Devido à preocupação gerada entre as diversas organizações contra narcóticos pelos informes recebidos do exterior, as autoridades colombianas decidiram ir avante com pesquisas detalhadas para determinar como esse tipo de substância estava sendo exportado do país.
O primeiro resultado mostrou que a substância encontrada em território alemão e a confiscada na Colômbia não eram as mesmas, levando assim as autoridades colombianas a realizar uma inspeção das instalações de armazenamento do Aeroporto El Dorado, em Santa Fé de Bogotá, tomando como base a informação proporcionada pela Embaixada da Alemanha na Colômbia e pelo Escritório do Secretário Geral da Interpol em Lião, na França.
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